Com todo o respeito à família do rapaz assassinado friamente e cruelmente na porta do prédio em que morava no Belém, zona leste de São Paulo, mas por que a mídia não dá importância às tragédias que acontecem todos os dias na periferia?
Moro na periferia, sei do que estou falando. Quando morre alguém na periferia, a primeira coisa que os urubus da imprensa fazem é checar se não tinha antecedentes. Ninguém vai checar se ele tinha família, filhos, esposa, mãe, pai. Vai atrás de ficha criminal. E quando não acham nada, fazem aquela matéria meia boca. Na periferia somos alvo de bandidos e polícia.
Quando saio com meu carro e cruzo com uma viatura eles ficam olhando, como se dirigir um carro fosse crime. O tráfico de drogas rola solto nos pancadões da vida e tem gente que ama funk como se fosse o suprassumo da cultura. Me poupem.
Para cada pessoa de classe média que morre nas mãos de bandidos, pelo menos dez pobres morrem nas mãos de bandidos e da polícia.
A mídia só dá importância se acontece com as famílias bem sucedidas, ninguém está nem aí se a mesma coisa acontece na periferia. Outro dia assaltaram um senhor, que ia de moto para o trabalho, às 9h30 da manhã. Foi em Pirituba, que é periferia, mas um pouco mais estruturado. Onde estava a polícia? Onde estava a imprensa? Nada. Se fosse nas Perdizes ia ser motivo de indignação e protestos contra a violência, mas foi em Pirituba. Quem liga?
Minha irmã morou nas Perdizes, porque meu cunhado era zelador de um prédio nas proximidades da PUC. Certa noite a polícia foi até o local porque um morador ligou para o 190 para reclamar do gato da vizinha que estava miando e não o deixava dormir. Pode isso Arnaldo?
Sabem quantas vezes eu liguei para o 190 para denunciar o pancadão com consumo de drogas e bebidas por menores de idade? Perdi a conta. Sabem quantas vezes a polícia veio? NENHUMA!!! Um gato miando nas Perdizes incomoda mais do que o funk rolando no meio da rua em Taipas.
Parece que só existe tragédia e violência do outro lado do rio Tietê. Quem mora do lado de cá da ponte que se dane. A mesma violência que acontece no Belém, no Alto da Lapa, na Pompeia, nas Perdizes, no Tatuapé, acontece na Freguesia, em Pirituba, no Jaraguá, em Taipas, em Perus. Não somos piores do que ninguém por morar na periferia. Não somos bandidos, não somos os criminosos.
A primeira coisa que a polícia fez para achar o assassino do estudante Victor Hugo foi invadir uma favela. Quer dizer, o criminoso tem que ser favelado, não é?
Minha amiga Luciana Mendonça lembrou bem em seu perfil no Facebook: até agora o riquinho menor de idade que atropelou e matou uma menina em Bertioga no ano passado leva sua vida normalmente. Ele não é o "de menor"assassino e criminoso que os apresentadores gritam nas tardes da TV aberta. Ele é o jovem que cometeu um erro.
É assim que é. Menor de idade infrator, se é pobre, é criminoso, se é rico, cometeu um erro. Infrator é infrator, não importa a classe social! O cara branco de olhos azuis que mata é tão assassino quanto o negro de cabelo ruim que mata. Não há diferença. A única diferença é que o rico pode pagar os honorários do excelentíssimo senhor Luiz Flávio Borges DÚrso, enquanto o pobre depende da defensoria pública.
A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão iguais, mas uns são mais iguais do que os outros.
sábado, 13 de abril de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
15 anos de cumplicidade
Sabe aquela pessoa que você encontra a primeira vez e acha
que não tem nada a ver com você, mas acaba se tornando a mais importante da sua
vida?
Eu tive essa sorte.
Na primeira vez que via minha cúmplice ela me chamou de
cretino. Isso foi em 1998 no primeiro dia de aula dela na Unesp. Ela era a “bixete”,
eu, o veterano mala.
Passou um dia, dois e veio a festa, há exatos 15 anos, no
dia 4 de março de 1998.
Ela grudou no “cretino” e, a bem da verdade, esse cretino
não desgrudou dela, até hoje.
Cumplicidade é uma coisa que se constrói com o tempo, com
paciência, com algumas brigas, com algumas fases ruins e muitas, mas muitas
fases boas.
Eu não podia definir melhor minha relação com a Layla. Ela é
a mulher que eu escolhi, mesmo sabendo que foi ela quem me escolheu. Isso
também é cumplicidade.
Se há 15 anos alguém me dissesse que esse pingo de gente ia fazer
parte da minha vida e mudá-la para melhor, eu diria que essa pessoa era louca.
Mas quem sabe o futuro? Ninguém sabe. A Layla não só tornou minha vida melhor, ela
me deu respostas para perguntas que eu não conseguia responder, ela me deu
amor, carinho, me tratou com paciência, me ajudou a ir em frente quando eu
achava a barreira grande demais para transpor, iluminou o caminho quando estava
escuro, fez e faz o melhor por mim, enquanto eu apenas tento ser e fazer o
melhor para ela.
Parabéns minha cúmplice, minha melhor amiga, minha amante,
minha namorada, minha mulher, meu amor.
Parabéns por aguentar esse cretino há 15 anos, tempo que eu
tenho dedicado a tentar ser menos cretino pra você.
Te amo e te amarei pelos próximos 15, 30, 45 e quantos anos
mais eu conseguir viver. E cada dia desses será dedicado a fazer você feliz.
sábado, 24 de novembro de 2012
Pedro define o que é ser "de esquerda"
Faz tempo que não comento as peripécias do meu pequeno herdeiro neste espaço. Bom, faz tempo que não comento nada aqui, mas deixa pra lá.
Outro dia eu e minha cúmplice conversávamos enquanto víamos um programa esportivo na TV. Quando o diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, apareceu, comentei que ele era filho do Adilson Monteiro Alves, sociólogo que ocupou o cargo de diretor no Timão durante a Democracia Corinthiana.
Não percebemos que o Pedro estava ouvindo, ele parecia absorto ao desenho que pintava. Porém, ao comentar que Adilson Monteiro Alves era "de esquerda", o pequeno herdeiro saiu com essa.
— Era de esquerda porque só jogava pelo lado esquerdo, né pai?
...
...
Quem dera a definição de esquerda e direita fosse uma mera escolha de lado do campo. Será que Adilson Monteiro Alves é canhoto?
Outro dia eu e minha cúmplice conversávamos enquanto víamos um programa esportivo na TV. Quando o diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, apareceu, comentei que ele era filho do Adilson Monteiro Alves, sociólogo que ocupou o cargo de diretor no Timão durante a Democracia Corinthiana.
Não percebemos que o Pedro estava ouvindo, ele parecia absorto ao desenho que pintava. Porém, ao comentar que Adilson Monteiro Alves era "de esquerda", o pequeno herdeiro saiu com essa.
— Era de esquerda porque só jogava pelo lado esquerdo, né pai?
...
...
Quem dera a definição de esquerda e direita fosse uma mera escolha de lado do campo. Será que Adilson Monteiro Alves é canhoto?
sábado, 29 de setembro de 2012
O dia, a semana, o mês
Me apropriei da música do Ira! para este post, porque acho que tem muito a ver com ele ou, simplesmente, com minha necessidade de escrever algo, antes que meus seis leitores me abandonem de vez.
Na verdade a primeira estrofe da canção irada já diz muito sobre mim: "O que me prende às pessoas é a procura de um espelho que reflita uma imagem pelo menos semelhante".
Acredito que todos busquemos imagens semelhantes naqueles com quem convivemos, mas, na maioria dos casos, encontramos apenas traços de similaridade e, nem sempre esses traços são suficientes para tornar as pessoas mais atraentes.
Dizem por aí que os opostos se atraem, no entanto, ninguém consegue conviver muito tempo com pessoas diferentes em tudo. Que contribuição alguém que discorda de você em tudo pode lhe dar? Aí, os "sabe-tudo" de plantão dirão que você pode aprender muito com alguém que não tem as mesmas ideias que você.
Neste ponto eles podem ter razão, mas não é este ponto que estamos discutindo. Discutimos a necessidade de viver entre os nossos, de completarmos pensamentos, não de sermos antagonistas.
A oposição de ideias é uma das coisas mais fabulosas que existem, porém, ninguém vive 24 horas por dia, sete dias na semana, quatro semanas por mês, pensando em como combater a quem não pensa igual. É desgaste desnecessário.
Em algum momento das nossas preciosas horas é preciso estar entre os seus, na sua zona de conforto, com aqueles que podem discordar de você, mas que vão ajudá-lo a completar sua ideia, vão contribuir para que seu pensamento seja inteiro e não apenas um fragmento.
Claro que muita gente vai dizer "o que seria do azul se todos gostassem do amarelo". Ao que eu respondo: calem-se! Não estou falando do gosto pessoal. Tenho amigos que gostam de pagode e sertanejo e nem por isso deixam de ser meus amigos. Por quê? Porque temos esse fragmento de similaridade em alguma coisa, ou seríamos adversários.
Nem sempre gosto de estar com outras pessoas. Gosto de me esconder no meu canto e fazer as coisas que gosto, ler meus livros, ouvir meus discos. Tenho amigos com quem não falo há tempos, mas sei que se eu telefonar será como se tivéssemos nos visto ontem.
É assim que tem que ser. Este é o espelho, aliás, mais do que um espelho,é um retrato pintado à mão, aquele que parece com você, mas não é totalmente igual. E assim vamos vivendo.
Na verdade a primeira estrofe da canção irada já diz muito sobre mim: "O que me prende às pessoas é a procura de um espelho que reflita uma imagem pelo menos semelhante".
Acredito que todos busquemos imagens semelhantes naqueles com quem convivemos, mas, na maioria dos casos, encontramos apenas traços de similaridade e, nem sempre esses traços são suficientes para tornar as pessoas mais atraentes.
Dizem por aí que os opostos se atraem, no entanto, ninguém consegue conviver muito tempo com pessoas diferentes em tudo. Que contribuição alguém que discorda de você em tudo pode lhe dar? Aí, os "sabe-tudo" de plantão dirão que você pode aprender muito com alguém que não tem as mesmas ideias que você.
Neste ponto eles podem ter razão, mas não é este ponto que estamos discutindo. Discutimos a necessidade de viver entre os nossos, de completarmos pensamentos, não de sermos antagonistas.
A oposição de ideias é uma das coisas mais fabulosas que existem, porém, ninguém vive 24 horas por dia, sete dias na semana, quatro semanas por mês, pensando em como combater a quem não pensa igual. É desgaste desnecessário.
Em algum momento das nossas preciosas horas é preciso estar entre os seus, na sua zona de conforto, com aqueles que podem discordar de você, mas que vão ajudá-lo a completar sua ideia, vão contribuir para que seu pensamento seja inteiro e não apenas um fragmento.
Claro que muita gente vai dizer "o que seria do azul se todos gostassem do amarelo". Ao que eu respondo: calem-se! Não estou falando do gosto pessoal. Tenho amigos que gostam de pagode e sertanejo e nem por isso deixam de ser meus amigos. Por quê? Porque temos esse fragmento de similaridade em alguma coisa, ou seríamos adversários.
Nem sempre gosto de estar com outras pessoas. Gosto de me esconder no meu canto e fazer as coisas que gosto, ler meus livros, ouvir meus discos. Tenho amigos com quem não falo há tempos, mas sei que se eu telefonar será como se tivéssemos nos visto ontem.
É assim que tem que ser. Este é o espelho, aliás, mais do que um espelho,é um retrato pintado à mão, aquele que parece com você, mas não é totalmente igual. E assim vamos vivendo.
sábado, 25 de agosto de 2012
Pessoas são estranhas...
Jim Morrison dizia que "Pessoas são estranhas quando você é um estranho". Será? Sempre olhei para as pessoas com desconfiança fora do comum. Nunca acreditei na idoneidade delas. O tempo me ensinou a ser mais complacente e a perceber que, talvez, eu fosse mais estranho a elas do que elas a mim.
Porém, de poucos tempos para cá, tive uma recaída em relação às pessoas em geral. Já conheci muita gente, cada uma delas com sua peculiaridade.
Conheci gente feliz de fato, tão feliz que chegava a irritar. Conheci polianas que conseguiam ver o lado bom de tudo, por outro lado estive com gente que parecia a hiena Hardy, só faltava dizer "Oh, dia! Oh, azar!". Conheci pessoas tristes por natureza e aquelas que se faziam de triste porque ser sombrio já foi moda, mesmo com aqueles malditos sobretudos não combinando em hipótese alguma com o clima deste país.
Para não me estender demais, conheci uma gama de pessoas e cada uma delas me fascinava e me deixava assustado da mesma forma. Sempre quis saber se elas sentiam o mesmo em relação a mim.
As pessoas são estranhas de fato, mas somos estranhos para elas também. Neste quesito acho que eu e Jim Morrison concordamos afinal.
No entanto, antigamente tudo tinha um toque mais íntimo. Éramos estranhos, mas solidários em nossa estranheza. Atualmente as pessoas são egoístas até no jeito estranho de ser. Ser diferente é ser normal, dizem por aí, mas pagamos o preço por todos serem diferentes da mesma forma. Hoje as pessoas são estranhas, por serem estranhamente semelhantes. E mesmo assim se sentem mais do que as outras, um erro comum já que personalidades iguais tendem a se afastar.
Chegamos em um patamar que nossa individualidade soa como ofensa para a maioria das pessoas. Isso é estranho. Parece que em algum momento decidiram que temos de compartilhar nossas vidas, medos, angústias, tristezas e alegrias com qualquer pessoa que tenha acesso à internet. Isso é estranho. O ombro amigo, de verdade, está morto.
As pessoas continuam estranhas para mim e devo parecer estranho a elas também. Consigo me adaptar à nova ordem mundial, mas não significa que devo aceitá-la como verdade absoluta. Quero questionar reclamar e tentar consertar o que julgo errado, até que me provem o contrário. Se isso soa estranho para você, parabéns. É sinal que ainda existe uma salvação. E isso também é estranho.
Porém, de poucos tempos para cá, tive uma recaída em relação às pessoas em geral. Já conheci muita gente, cada uma delas com sua peculiaridade.
Conheci gente feliz de fato, tão feliz que chegava a irritar. Conheci polianas que conseguiam ver o lado bom de tudo, por outro lado estive com gente que parecia a hiena Hardy, só faltava dizer "Oh, dia! Oh, azar!". Conheci pessoas tristes por natureza e aquelas que se faziam de triste porque ser sombrio já foi moda, mesmo com aqueles malditos sobretudos não combinando em hipótese alguma com o clima deste país.
Para não me estender demais, conheci uma gama de pessoas e cada uma delas me fascinava e me deixava assustado da mesma forma. Sempre quis saber se elas sentiam o mesmo em relação a mim.
As pessoas são estranhas de fato, mas somos estranhos para elas também. Neste quesito acho que eu e Jim Morrison concordamos afinal.
No entanto, antigamente tudo tinha um toque mais íntimo. Éramos estranhos, mas solidários em nossa estranheza. Atualmente as pessoas são egoístas até no jeito estranho de ser. Ser diferente é ser normal, dizem por aí, mas pagamos o preço por todos serem diferentes da mesma forma. Hoje as pessoas são estranhas, por serem estranhamente semelhantes. E mesmo assim se sentem mais do que as outras, um erro comum já que personalidades iguais tendem a se afastar.
Chegamos em um patamar que nossa individualidade soa como ofensa para a maioria das pessoas. Isso é estranho. Parece que em algum momento decidiram que temos de compartilhar nossas vidas, medos, angústias, tristezas e alegrias com qualquer pessoa que tenha acesso à internet. Isso é estranho. O ombro amigo, de verdade, está morto.
As pessoas continuam estranhas para mim e devo parecer estranho a elas também. Consigo me adaptar à nova ordem mundial, mas não significa que devo aceitá-la como verdade absoluta. Quero questionar reclamar e tentar consertar o que julgo errado, até que me provem o contrário. Se isso soa estranho para você, parabéns. É sinal que ainda existe uma salvação. E isso também é estranho.
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