segunda-feira, 14 de maio de 2012

Eu não tenho certeza, mas eu acho...

Quantas vezes você acreditou na verdade absoluta de algumas coisas? Vou ser sincero, eu acreditei em várias. Acreditei que manga com leite fazia mal, por exemplo, afinal quem duvidaria da palavra da mãe, da avó e de outras tantas pessoas que juraram de pés juntos que fazia um mal mortal comer manga e tomar leite?
Mas isso foi há muito tempo e essa verdade caiu por terra. Outras verdades vieram com o passar dos anos e crer que elas eram para sempre era quase obrigatório. Quem é você para duvidar?
Lembra das aulas de história, da tal propaganda nazista? Contar uma mentira à exaustão até que ela pareça verdade. Foi assim que eles fizeram e, pasmem, muita gente absorveu essa tática e a utiliza até hoje. A Veja que o diga...
Mas a ideia aqui é refletir sobre como sempre tivemos certeza de muitas coisas e, na maioria das vezes, nossas certezas caiam por terra. E isso é bem maior do que pensar que manga com leite faz mal.
Trata-se de uma cegueira que insiste em nos acompanhar enquanto vivemos. Cremos em um milhão de coisas diferentes, para depois descobrirmos que elas eram falsas, isso quando conseguimos abrir os olhos a tempo suficiente de reparar nos erros cometidos. É difícil ter certeza.
Não estou dizendo que perdi a crença em tudo, mas desconfio mais hoje do que desconfiava antes. Minhas verdades não são mais âncoras com as quais atraco meu barco em algum porto desconhecido. Eu tinha muitas certezas antes, sabia o que era verdade, hoje eu só acho que sei.

domingo, 18 de março de 2012

A banalização da banalidade

Decidi que ia escrever sobre banalidades, mas no meio do caminho entre ligar o computador e começar a escrever, veio à minha cabeça que não sei mais o que é banal e o que é importante.
Sendo justo comigo mesmo e pedindo perdão aos meus seis leitores pelo tema tão banal, resolvi pesquisar no dicionário para saber qual a definição que nosso querido Aurélio dá para "banal". Entre as definições encontrei fútil e frívolo.
Antes que me crucifiquem sobre isso, em minha defesa devo dizer que sempre soube o que é banal, mas precisava confirmar as palavras exatas para não usar metáforas do tipo banal = Michel Teló.
Mas voltando ao assunto, vamos aos fatos. Li uma notícia que me chocou e não foi sobre maus tratos a algum cachorro (parece que atualmente as pessoas só se chocam com isso, fodam-se os humanos, né?).
Bom, li uma notícia sobre uma menina de 13 anos que conheceu um garoto na internet e foi estuprada por ele e por outros quatro ou cinco. O detalhe é que, na primeira vez que eles se encontraram, ele já havia obrigado a garota a fazer sexo oral com ele e outros dois. Uma semana depois ela foi violentada.
Os garotos que cometeram a barbaridade tinham entre 12 e 14 anos. Vão me perguntar por que considero isso banal. Não deveria ser. Tornou-se.
Banalizamos a violência de tal forma que está mais fácil para as pessoas se indignarem com um cachorro abandonado do que com uma criança sofrendo abusos.
Chegamos a um nível de ridículo tão grande que exportamos "ai, se eu te pego" em esperanto e fechamos os olhos para uma menina de 13 anos estuprada por garotos de 12 a 14 anos. Gente que deveria estar brincando, andando de bicicleta, se divertindo.
Essas crianças andam por aí com seus celulares gritando funks com letras de conteúdo sexual do mais baixo e coisas como Michel Teló, como se não fosse nada demais. É sim.
O que vocês acham que o garoto que conheceu essa menina pela internet pensou na hora em que marcou o encontro com ela? Ora, foi algo do tipo "delícia, assim você me mata, ai se eu te pego". Isso mesmo!
É banal? É. Mas perigosa. Em um país onde a educação está sempre em segundo ou terceiro plano, as mentes adolescentes absorvem lixo enquanto deveriam absorver conhecimento.
Infelizmente isso vai continuar a acontecer. Crianças com a sexualidade aflorada muito cedo e, pior de tudo, incentivada muito cedo.
Não adianta deixar o morro vir abaixo para depois fazer muros de contenção. O lixo já está aí há muito tempo e parecemos os três macaquinhos: não falo, não vejo, não escuto.
Quantas meninas de 13 anos terão de ser violentadas para começarmos a falar, ver e ouvir?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Extra! Extra! Pernilongo dado como morto é visto correndo em tapete!

Algumas coisas não têm explicação. Uma delas é o diálogo surreal que presenciei na noite do último sábado (18).
Vamos por partes. Minha ilustre sobrinha Natália (que meus seis leitores já devem conhecer de alguns posts aqui em meu humilde blog) ficou alguns dias se deliciando na terra do Tio Sam, mais especificamente na Disney (que era um alvo do Bin Laden, mas os terroristas não chegaram lá).
Mas, vamos aos fatos. Natália completou 18 anos na quinta-feira (16) e, como estava nos "Estates", só foi contemplada com bolinho floresta negra da vovó (minha mãe) no sábado, um dia após ser deportada dos EUA.
A ilustre sobrinha foi para casa da avó (onde também me escondo da chuva) na companhia de três amigos, Renan, vulgarmente conhecido como "Ic" (isso mesmo, igual soluço, ou Iqui, ou seria Iky? Sei lá); Bianca, cujo sobrenome é Duran, por isso a chamam de Du; e Caio, que lembra o James Franco (com a fantasia do Duende Macabro).
Esses quatro mancebos adolescentes estavam na sala conversando até que, por algum surto que para mim é inexplicável, a Du (ou Bianca, se preferirem) tirou a sapatilha e desenvolveu com a dita cuja uma parábola no ar. Após esse ato, ela exclamou triunfante: "Olha, matei o pernilongo!".
Tudo ficaria por isso mesmo, se o rapaz com codinome soluço não replicasse a afirmação bombástica da Bianca (ou Du. Pô, por que alguém tem o sobrenome como apelido?). "Não matou, olha ele correndo ali!".
Espera! Hein? O Pernilongo saiu correndo? WTF!!!
Não tenho como explicar o que esse garoto viu de fato, mas pode ter sido uma formiga e ele imaginou ser o finado pernilongo. Ou, então, são as dorgas mesmo...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O pote de sorvete no fim do arco-íris

Que o Pedro - meu pequeno herdeiro - é de uma esperteza sem fim, todos os meus seis leitores sabem, mas ele costuma surpreender esse pai babão que vos escreve.
Reza a lenda (não sei de qual país) que há um pote de ouro no fim do arco-íris. É claro que determinar o fim e o começo do arco-íris não é uma tarefa das mais fáceis, mas tem gente que acredita que há um leprechaum  guardando um pote cheio de grana em uma das pontas do referido arco.
Um dia desses, em que a chuva castigou Sampa com toda sua intensidade, um arco-íris surgiu no céu enquanto eu e Pedro estávamos na lotação, a caminho do shopping.
Comentei com o pequeno herdeiro que poderia ter um pote de ouro no fim do arco-íris e perguntei se ele não queria procurar.
Esperto, o magrelinho me soltou mais uma de suas pérolas.
- Ouro não, pai. O que tem no fim do arco-íris é um pote de sorvete.
Bom, é uma possibilidade. Afinal, ouro é muito subjetivo. E se a lenda fala de um tesouro e não de ouro, especificamente? Qual é um dos maiores tesouros de um menino de seis anos? Um pote de sorvete, claro.
O pequeno herdeiro ainda comentou que poderia ser um pote de brinquedos, ou qualquer outra coisa importante, mas fechamos no pote de sorvete.
Seria uma boa achar um, apesar do pai ainda preferir o ouro...


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um dia de cada vez

Oi pai. Espero que onde estiver, esteja bem. No fundo sei que está.
Quero dizer que foi difícil, que está sendo difícil superar. Você foi de uma hora para outra e a dor que sentimos ainda está estampada em nossos rostos, apesar de tentarmos seguir em frente.
Vamos apaziguando a dor em doses homeopáticas e sabemos que vai demorar para passar, até porque, nas pequenas coisas do dia a dia há muitas lembranças suas. A saudade está demais.
Sei que é egoísmo, mas nós somos assim. É a essência do ser humano pensar mais em si do que nos outros, mas, no fundo, sabemos que aquela dor que você sentia se foi. 
Às vezes penso que deixei de dizer muita coisa para você, no entanto sei que, de alguma forma, não era preciso falar. As pessoas me perguntam como estou e, realmente, estou bem. Mas há aqueles momentos em que olho para o lugar que você sentava no sofá e percebo que não está tudo bem de fato.
A passagem de ano foi triste sem sua presença. Você ia gostar dos fogos. Acho que foi a primeira vez que vi a queima de fogos por aqui e, de alguma forma, eles se saíram bem. Sem querer ser presunçoso, parecia em sua homenagem.
Nossos dias vão passando e nossa rotina vai voltando aos poucos. Sofremos muito com sua partida e os natais nunca mais serão os mesmos, porém, a vida segue e você não ia querer que parássemos, afinal, você nunca parou.
Só posso dizer obrigado, mais uma vez, por ter sido pai e avô maravilhoso, por ter me ensinado a viver e me mostrado o caminho. Te amo e te amarei pelo resto dos meus dias. Até mais, velho. Descanse.