segunda-feira, 4 de março de 2013

15 anos de cumplicidade



Sabe aquela pessoa que você encontra a primeira vez e acha que não tem nada a ver com você, mas acaba se tornando a mais importante da sua vida?
Eu tive essa sorte.
Na primeira vez que via minha cúmplice ela me chamou de cretino. Isso foi em 1998 no primeiro dia de aula dela na Unesp. Ela era a “bixete”, eu, o veterano mala.
Passou um dia, dois e veio a festa, há exatos 15 anos, no dia 4 de março de 1998.
Ela grudou no “cretino” e, a bem da verdade, esse cretino não desgrudou dela, até hoje.
Cumplicidade é uma coisa que se constrói com o tempo, com paciência, com algumas brigas, com algumas fases ruins e muitas, mas muitas fases boas.
Eu não podia definir melhor minha relação com a Layla. Ela é a mulher que eu escolhi, mesmo sabendo que foi ela quem me escolheu. Isso também é cumplicidade.
Se há 15 anos alguém me dissesse que esse pingo de gente ia fazer parte da minha vida e mudá-la para melhor, eu diria que essa pessoa era louca.
Mas quem sabe o futuro? Ninguém sabe.  A Layla não só tornou minha vida melhor, ela me deu respostas para perguntas que eu não conseguia responder, ela me deu amor, carinho, me tratou com paciência, me ajudou a ir em frente quando eu achava a barreira grande demais para transpor, iluminou o caminho quando estava escuro, fez e faz o melhor por mim, enquanto eu apenas tento ser e fazer o melhor para ela.
Parabéns minha cúmplice, minha melhor amiga, minha amante, minha namorada, minha mulher, meu amor.
Parabéns por aguentar esse cretino há 15 anos, tempo que eu tenho dedicado a tentar ser menos cretino pra você.
Te amo e te amarei pelos próximos 15, 30, 45 e quantos anos mais eu conseguir viver. E cada dia desses será dedicado a fazer você feliz.

sábado, 24 de novembro de 2012

Pedro define o que é ser "de esquerda"

Faz tempo que não comento as peripécias do meu pequeno herdeiro neste espaço. Bom, faz tempo que não comento nada aqui, mas deixa pra lá.
Outro dia eu e minha cúmplice conversávamos enquanto víamos um programa esportivo na TV. Quando o diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, apareceu, comentei que ele era filho do Adilson Monteiro Alves, sociólogo que ocupou o cargo de diretor no Timão durante a Democracia Corinthiana.
Não percebemos que o Pedro estava ouvindo, ele parecia absorto ao desenho que pintava. Porém, ao comentar que Adilson Monteiro Alves era "de esquerda", o pequeno herdeiro saiu com essa.
— Era de esquerda porque só jogava pelo lado esquerdo, né pai?
...
...
Quem dera a definição de esquerda e direita fosse uma mera escolha de lado do campo. Será que Adilson Monteiro Alves é canhoto?

sábado, 29 de setembro de 2012

O dia, a semana, o mês

Me apropriei da música do Ira! para este post, porque acho que tem muito a ver com ele ou, simplesmente, com minha necessidade de escrever algo, antes que meus seis leitores me abandonem de vez.
Na verdade a primeira estrofe da canção irada já diz muito sobre mim: "O que me prende às pessoas é a procura de um espelho que reflita uma imagem pelo menos semelhante".
Acredito que todos busquemos imagens semelhantes naqueles com quem convivemos, mas, na maioria dos casos, encontramos apenas traços de similaridade e, nem sempre esses traços são suficientes para tornar as pessoas mais atraentes.
Dizem por aí que os opostos se atraem, no entanto, ninguém consegue conviver muito tempo com pessoas diferentes em tudo. Que contribuição alguém que discorda de você em tudo pode lhe dar? Aí, os "sabe-tudo" de plantão dirão que você pode aprender muito com alguém que não tem as mesmas ideias que você.
Neste ponto eles podem ter razão, mas não é este ponto que estamos discutindo. Discutimos a necessidade de viver entre os nossos, de completarmos pensamentos, não de sermos antagonistas.
A oposição de ideias é uma das coisas mais fabulosas que existem, porém, ninguém vive 24 horas por dia, sete dias na semana, quatro semanas por mês, pensando em como combater a quem não pensa igual. É desgaste desnecessário.
Em algum momento das nossas preciosas horas é preciso estar entre os seus, na sua zona de conforto, com aqueles que podem discordar de você, mas que vão ajudá-lo a completar sua ideia, vão contribuir para que seu pensamento seja inteiro e não apenas um fragmento.
Claro que muita gente vai dizer "o que seria do azul se todos gostassem do amarelo". Ao que eu respondo: calem-se! Não estou falando do gosto pessoal. Tenho amigos que gostam de pagode e sertanejo e nem por isso deixam de ser meus amigos. Por quê? Porque temos esse fragmento de similaridade em alguma coisa, ou seríamos adversários.
Nem sempre gosto de estar com outras pessoas. Gosto de me esconder no meu canto e fazer as coisas que gosto, ler meus livros, ouvir meus discos. Tenho amigos com quem não falo há tempos, mas sei que se eu telefonar será como se tivéssemos nos visto ontem.
É assim que tem que ser. Este é o espelho, aliás, mais do que um espelho,é um retrato pintado à mão, aquele que parece com você, mas não é totalmente igual. E assim vamos vivendo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Pessoas são estranhas...

Jim Morrison dizia que "Pessoas são estranhas quando você é um estranho". Será? Sempre olhei para as pessoas com desconfiança fora do comum. Nunca acreditei na idoneidade delas. O tempo me ensinou a ser mais complacente e a perceber que, talvez, eu fosse mais estranho a elas do que elas a mim.
Porém, de poucos tempos para cá, tive uma recaída em relação às pessoas em geral. Já conheci muita gente, cada uma delas com sua peculiaridade.
Conheci gente feliz de fato, tão feliz que chegava a irritar. Conheci polianas que conseguiam ver o lado bom de tudo, por outro lado estive com gente que parecia a hiena Hardy, só faltava dizer "Oh, dia! Oh, azar!". Conheci pessoas tristes por natureza e aquelas que se faziam de triste porque ser sombrio já foi moda, mesmo com aqueles malditos sobretudos não combinando em hipótese alguma com o clima deste país.
Para não me estender demais, conheci uma gama de pessoas e cada uma delas me fascinava e me deixava assustado da mesma forma. Sempre quis saber se elas sentiam o mesmo em relação a mim.
As pessoas são estranhas de fato, mas somos estranhos para elas também. Neste quesito acho que eu e Jim Morrison concordamos afinal.
No entanto, antigamente tudo tinha um toque mais íntimo. Éramos estranhos, mas solidários em nossa estranheza. Atualmente as pessoas são egoístas até no jeito estranho de ser. Ser diferente é ser normal, dizem por aí, mas pagamos o preço por todos serem diferentes da mesma forma. Hoje as pessoas são estranhas, por serem estranhamente semelhantes. E mesmo assim se sentem mais do que as outras, um erro comum já que personalidades iguais tendem a se afastar.
Chegamos em um patamar que nossa individualidade soa como ofensa para a maioria das pessoas. Isso é estranho. Parece que em algum momento decidiram que temos de compartilhar nossas vidas, medos, angústias, tristezas e alegrias com qualquer pessoa que tenha acesso à internet. Isso é estranho. O ombro amigo, de verdade, está morto.
As pessoas continuam estranhas para mim e devo parecer estranho a elas também. Consigo me adaptar à nova ordem mundial, mas não significa que devo aceitá-la como verdade absoluta. Quero questionar reclamar e tentar consertar o que julgo errado, até que me provem o contrário. Se isso soa estranho para você, parabéns. É sinal que ainda existe uma salvação. E isso também é estranho.

domingo, 22 de julho de 2012

O Pedro, a patinação no gelo e um pai medroso

Quem tem filhos sabe a emoção que é quando as coisas começam a acontecer. A primeira risada, a primeira palavra, a primeira tentativa de engatinhar, o primeiro passo, tudo isso vem recheado de uma emoção única. Mas os filhos crescem e as emoções só aumentam, como pude constatar nesta semana.
Fui com minha cúmplice, a Layla, e meu pequeno e já famoso herdeiro Pedro ao Shopping Parque Santana para assistir o Espetacular Homem-Aranha. Até aí, nada demais, ir ao cinema com a família é corriqueiro.
Acontece que no referido shopping havia uma pista de patinação no gelo, que deixou o Pedro alucinado. Ele queria porque queria patinar. O detalhe é que ele nunca havia patinado e quando argumentamos que nenhum de nós entraria na pista, porque também não patinamos, ele ficou irredutível: iria sozinho.
E foi, para desespero do pai medroso, que achou que o magrelinho não ia sair do chão. Bom, paga a quantia exorbitante por meia hora de tombos no gelo e colocado o equipamento, lá se foi o Pedro rumo ao rink. Não sem uma ajuda de um dos monitores, porque com toda aquela tralha, ele mal conseguia andar para chegar até a pista, mas foi.
Para minha surpresa, o pequeno herdeiro se saiu melhor do que eu poderia imaginar e fez bonito para quem nunca tinha colocado um par de patins na vida.
Meus seis leitores devem estar rindo da minha cara por temer uma bobagem dessas, mas coloquem-se no lugar desse pai aflito.
Sei que fiz um papel de bobo, até porque as crianças sabem se virar bem melhor do que os adultos em muitas situações, isso se não for em todas.
E assim foi a saga de Pedro: começou segurando na grade de segurança e, quando menos esperava, estava no meio da pista deslizando, como se não tivesse feito outra coisa na vida. Caiu, levantou e seguiu em frente, como deve ser a vida.
Para nós, nossos pequenos herdeiros serão sempre bebês, mas eles sempre ganham asas e provam que estão mais preparados do que nós. Nosso papel nisso tudo? Não impedir que eles voem, mas indicar a melhor rota.
Pedro em sua primeira experiência como patinador: deixou o pai babando